Nota: Poderá levar um pouco mais de farinha dependendo do tamanho dos ovos e das laranjas. A erva-doce e a canela são a gosto, no entanto a quantidade de erva-doce deverá ser sempre superior à da canela.

Sobre a Fogaça de Palmela: A seguir às principais festas e romarias, quase sempre nos dois domingos seguintes, era costume realizarem-se umas “festas menores”, ao fim da tarde ou princípio da noite, como complemento das “festas grandes” e, de alguma maneira, para se obterem fundos para cobrir as despesas da festa principal. Nessas tais “festas secundárias” eram arrematados animais e produtos agrícolas mas, de modo especial, bolos designados por fogaças, parece que por inicialmente tais bolos serem cozidos diretamente ao fogo ou, mais exatamente, em cima do borralho da lareira ou do forno.

Em Palmela (Vila – porque no resto do concelho o calendário das fogaças era diferente) a data mais marcada era a de 15 de Janeiro, em que se festeja Santo Amaro. Nesse dia, na igreja paroquial, eram benzidas as fogaças que correspondiam a promessas formuladas àquele santo e que, de harmonia com o problema que havia originado a promessa, se revestiam de formas diferentes mas, em qualquer caso, evocativas da aflição: um pé, um braço, um animal, etc. O produto da venda das fogaças revertia para o culto de Santo Amaro.
(Texto da autoria do historiador Dr. António de Matos Fortuna)

O ritual foi recuperado pela Confraria Gastronómica de Palmela, com o apoio da autarquia, e os Confrades, trajados a rigor, levam, anualmente, ao altar as doces fogaças, confecionadas com produtos regionais, numa cerimónia aberta à participação de todos.